Teixeira (2007) Influence of Ai Chi on balance and fear of falling on older adults (portuguese)

PURPOSE: This study examined the effect of Ai Chi, a variation of T’ai Chi performed in water, onbalance and fear of falling in older adults.

RELEVANCE: Falls are a major problem in older adults, leading not only to an increase of incapacity butalso to an increase of morbidity and mortality. Complications of falls include fractures,dependence and fear of falling (FOF), among others. When training balance on land, anindividual’s performance may be diminished by a lack of confidence or a fear of falling. Inan aquatic environment, waters inherent viscosity serves like a postural support, promotingconfidence and reducing the fear of falls. Aquatic therapy has the capacity to preventdeterioration in and increase the quality of life within the elderly community as well aspromote their independence.

PARTICIPANTS: Thirty community dwelling frail adults, sampled from a day care center were randomlyallocated to an experimental or control group. The groups had baseline similarity regardingage, sex, FOF and balance.Inclusion criteria were aged 77-88 yrs with either high or medium risk of falling (POMAscore from 0 to 24). Exclusion criteria were any physiotherapy treatment or participation inphysical activity during the study and standard contraindications to hydrotherapy19 as well asan absence from the Ai Chi sessions for more than 4 sessions.

METHODS: Balance was assessed with the Performance-Oriented Mobility Assessment (POMA) and FOFwith Falls Efficacy Scale (FES). The experimental group received 16 Ai Chi sessions over 6weeks at a community aquatic centre. The control group received no instruction and wasencouraged not to change their ADLs. Prior to intervention, 2 familiarization sessions wereheld

ANALYSIS: The Wilcoxon signed rank test for intra-group comparisons and the Mann-Whitney U test forinter-group comparisons. Cohen’s d was used to calculate clinical effect size after submissionof the original thesis.

RESULTS: Following intervention the experimental group showed statistical significant improvements inbalance but not in fear of falling, The control group did not show a change in balance, but asignificant increase in FOF. Post intervention intergroup comparisons showed significantdifferences in favor of the experimental group. Clinically significant effects sizes (ES) to theadvantage of the experimental group were found of 1.3pts for the tPOMA (balance), with1.1pts and 1.4pts for bPOMA and gPOMA respectively. A clinically significant ES for theFES was also reached (1.5pts).

CONCLUSIONS: Despite the small sample, findings clearly show that an Ai Chi program leads to a clinicalrelevant increase of both static and dynamic balance in older persons. Ai Chi participants alsoshowed a maintenance of their level of FOF. No follow up has been made, which preventsconclusions about long term effects.

IMPLICATIONE: specially frail elderly, for whom balance exercises in a falls prevention program on landmight be difficult or even dangerous and who are not afraid of water should be included in a(community based) aquatic program when available.

A INFLUNCIA DE UM PROGRAMA
DE AI CHI NO EQUILBRIO E MEDO DE CAIR EM
IDOSOS
Rita do Valle Frias Pinto Teixeira

VVAALLLLEEVVAALLLLEE44@@GGMMAAIILL..CCOOMM

TESE DE LICENCIATURA (2007)

The influence of Ai Chi on balance and fear of falling in older adults: a
randomized clinical trial

PURPOSE
This study examined the effect of Ai Chi, a variation of Tai Chi per\formed in water, on
balance and fear of falling in older adults.

RELEVANCE
Falls are a major problem in older adults, leading not only to an increa\se of incapacity but
also to an increase of morbidity and mortality. Complications of falls i\nclude fractures,
dependence and fear of falling (FOF), among others. When training bala\nce on land, an
individuals performance may be diminished by a lack of confidence or\ a fear of falling. In
an aquatic environment, waters inherent viscosity serves like a postural\ support, promoting
confidence and reducing the fear of falls
. Aquatic therapy has the capacity to prevent
deterioration in and increase the quality of life within the elderly com\munity as well as
promote their independence.

PARTICIPANTS
Thirty community dwelling frail adults, sampled from a day care center were randomly
allocated to an experimental or control group. The groups had baseline similarity regarding age, sex, FOF and balance.
Inclusion criteria were aged 77-88 yrs with either high or medium risk o\f falling (POMA
score from 0 to 24). Exclusion criteria were any physiotherapy treatmen\t or participation in
physical activity during the study and standard contraindications to hyd\rotherapy
19 as well as
an absence from the Ai Chi sessions for more than 4 sessions.

METHODS
Balance was assessed with the Performance-Oriented Mobility Assessment (\POMA) and FOF
with Falls Efficacy Scale (FES). The experimental group received 16 Ai\ Chi sessions over 6

weeks at a community aquatic centre. The control group received no instruction and was
encouraged not to change their ADLs. Prior to intervention, 2 familiarization sessions were
held

ANALYSIS
The Wilcoxon signed rank test for intra-group comparisons and the Mann-W\hitney U test for
inter-group comparisons. Cohens d was used to calculate clinical eff\ect size after submission
of the original thesis.

RESULTS
Following intervention the experimental group showed statistical significant improvements in
balance but not in fear of falling, The control group did not show a cha\nge in balance, but a
significant increase in FOF. Post intervention intergroup comparisons sh\owed significant
differences in favor of the experimental group. Clinically significant effects sizes (ES) to the
advantage of the experimental group were found of 1.3pts for the tPOMA (\balance), with
1.1pts and 1.4pts for bPOMA and gPOMA respectively. A clinically signifi\cant ES for the
FES was also reached (1.5pts).

CONCLUSIONS
Despite the small sample, findings clearly show that an Ai Chi program leads to a clinical
relevant increase of both static and dynamic balance in older persons. Ai Chi participants also
showed a maintenance of their level of FOF. No follow up has been made, \which prevents
conclusions about long term effects.

IMPLICATION
Especially frail elderly, for whom balance exercises in a falls preventi\on program on land
might be difficult or even dangerous and who are not afraid of water should be included in a
(community based) aquatic program when available.

INSTITUTO POLITCNICO DE SADE DO NORTE
Escola Superior de Sade do Vale do Sousa

C

urso Bietpico de Licenciatura em Fisioterapia 1 Ano 2 ciclo

TESE
DE LICENCIATURA

A
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S

Nome da Autora: R
ita do Valle Frias Pinto Teixeira
Nome do Orientador: Mestre Francisco Neto
Gandra
A

gosto de 2007

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
1

INTRODUO

O envelhecimento populacional um fenmeno de grande dimenso
q

ue resulta, sobretudo, do aumento da longevidade. A evoluo demogrfica
prevista para 2020 em Portugal destaca o crescimento de aproximadamente
17,9% da populao com idade entre os 65 e 69 anos; um crescimento de
13,5% no grupo de idosos de 70 a 74 anos; e o crescimento da populao com
idade igual ou superior a 75 anos que dever situar-se um pouco acima dos
18%. 1

C
om o avanar da idade, o indivduo atravessa um processo de
mudana, caracterizado por alteraes biolgicas, sociais e psicolgicas 2,3
,
se

ndo de primordial importncia a necessidade de cuidados de sade e apoio
especfico para assegurar o estado de sanidade dos idosos. 2
As quedas lideram os problemas actuais nos idosos, levando no s a
u

m aumento da incapacidade como, tambm, a um incremento da mortalidade
e um acrscimo da morbilidade destes. 4
O resultado de uma queda cria vrias
co

mplicaes tais como dependncia e medo de cair, entre outros. 3
O medo de cair um conceito multifactorial e tem sido reconhecido
co

mo alvo problemtico nas quedas dos idosos. 5
Tinetti e
t al. (1993) definiram-
no como o resultado de queda e como possvel factor limitante na realizao
das actividades da vida diria (AVDs)
(cit. in Legters 5
); enquanto que outros
a

utores como Maki et al. (1991) referiram-no como consequncia psicolgica
da queda associado reduo e perda de equilbrio (cit. in Legters 5
). Contudo,
a

ctualmente, tambm revelado que o medo de cair pode estar presente em
indivduos que no sofreram quedas e est, tambm, relacionado com as
mudanas fsicas, psicolgicas e funcionais nos idosos. 5

A

eficcia em manter ou melhorar o equilbrio em idosos tem sido alvo
de investigao de muitos programas na reduo do risco eou preveno de
quedas. 2
A prtica regular de exerccio uma dimenso de interveno
i

mportante para reduzir o medo de cair e melhorar o equilbrio de modo a
prevenir a ocorrncia de futuras quedas. 3

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
2

O Fisioterapeuta deve ter uma interveno precoce, baseada num
programa multifactorial, fundamental para prevenir a inactividade e a
dependncia de forma a evitar o medo de cair nos idosos. 6

E

xistem alguns estudos que relacionam a prtica de Tai Chi na
reabilitao vestibular 7,8
bem como outros, que a indicam como factor
i

mportante no equilbrio 9,10
e na preveno de quedas nos idosos. 11

O

treino do equilbrio no meio terrestre torna-se mais difcil porque as
pessoas sentem-se desamparadas e receiam cair. No meio aqutico, a
flutuao serve como suporte, promove a aquisio da confiana e a reduo
do medo de cair. 12

A

ssim, o Fisioterapeuta tem um papel crucial, atravs da prtica de
hidroterapia, sendo esta evidenciada como uma estratgia na promoo de
sade a longo prazo, na preveno e no aumento da qualidade de vida e
independncia dos idosos. 6

D

iversos estudos comprovam a eficcia de programas de exerccios
levados a cabo no meio aqutico. 13,14,15,16,17

R

ecentemente, Sova e Konno 18
descreveram uma variante do Tai Chi,
r

ealizada no ambiente aqutico, denominado Ai Chi. Os mesmos autores
sugerem que um programa de Ai Chi tem efeitos ao nvel do aumento do
equilbrio e reduo do medo de cair, em idosos. Estes exerccios teraputicos
tm vindo a ser incorporados, ultimamente, na prtica clnica do Fisioterapeuta,
em programas de preveno de quedas em idosos. Contudo, de acordo com a pesquisa bibliogrfica exaustiva efectuada,
no existe evidncia cientfica que comprove os efeitos do Ai Chi ao nvel do
equilbrio e medo de cair. 18

A

ssim, este estudo ter como objectivo verificar o efeito de um programa
de Ai Chi no equilbrio e medo de cair em pessoas idosas.

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
3

Captulo I : R EVISO BIBLIOGRFICA

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
4

1 E NVELHECIMENTO

O aumento do nmero de adultos com idade igual ou superior a 65 anos
l

idera os problemas do sistema de sade, dos servios mdicos e sociais.
As
d

oenas crnicas que afectam os idosos contribuem para a inactividade,
diminuio da qualidade de vida e aumento dos custos dos cuidados de sade
a longo prazo. 19

1.1 E FEITOS DO ENVELHECIMENTO

Com o avanar da idade, vo ocorrendo modificaes fisiolgicas que
acarretam diminuio da funo cardiovascular 19,20
, reduo da capacidade
a

erbica 19,20
, alteraes na composio corporal 19,20
, diminuio da capacidade
m

xima pulmonar e de ventilao 20
, atrofia e fraqueza muscular 19
, entre
o

utras. 20
Contudo, o envelhecimento tambm implica alteraes biomecnicas
co

mo diminuio do comprimento e fora musculares, aumento do tempo de
reabsoro e reposio ssea e encurtamento dos tendes, que provocam
uma reduo da amplitude do movimento das articulaes, bem como da
flexibilidade no idoso.
Estes dois aspectos essenciais vo desencadear
m

odificaes na mobilidade verificando-se, assim, uma diminuio da fora
muscular, do equilbrio e, consequentemente, uma maior predisposio para
quedas. 20

O

declnio associado idade avanada no se deve apenas a um
processo de envelhecimento, mas tambm atrofia muscular associada
inactividade dos indivduos.
A capacidade de trabalho de um indivduo
se

dentrio normal diminui cerca de 30% entre os 30 e 70 anos.
Tem sido
d

efendido que, durante o envelhecimento, a reduo funcional dos sistemas
mais importantes deriva do resultado da inactividade, permitindo que a
fisiologia do envelhecimento se redefina em fisiologia da inactividade.
Os
i

dosos tm o dobro da incapacidade e o qudruplo de limitaes fsicas de uma
pessoa com idade inferior a 65 anos. 20

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
5

1.2 A LTERAES M SCULO ESQUELTICAS

O processo de envelhecimento est associado perda de fora
m

uscular, verificando-se uma diminuio do comprimento e da massa muscular
particularmente aos 60 anos.
A perda de tecido muscular deve-se a uma
d

iminuio do nmero de fibras musculares e atrofia das fibras do tipo II. A
reduo de 26% do tamanho das fibras tipo II, entre os 20 e os 80 anos, vista
como a responsvel pela perda da massa muscular.
Entre os 20 e os 50 anos a
t

axa de declnio relativamente lenta e torna-se mais acentuada entre os 50-60
anos, com maior relevncia nas mulheres. 20

A diminuio da amplitude de movimento e a rigidez articular surgem
co

m o processo de envelhecimento e com o desuso. Nos idosos, a amplitude
de movimento dos membros inferiores apresenta um declnio de 57% quando
comparada com a populao jovem. 20

A

reduo da fora e massa muscular esto associadas com o aumento
da incapacidade fsica, aumento do risco de quedas e incapacidade para
realizar as AVDs. Assim, a dependncia funcional torna-se num dos mais
srios problemas de sade na comunidade idosa. 20

1.3 A LTERAES DO E QUILBRIO

O equilbrio pode ser definido como o estado perante o qual o corpo
permanece em estabilidade ou a capacidade para reagir a uma fora
destabilizadora rpida de modo eficiente e estvel. 21
O equilbrio uma
i

ntegrao complexa e automtica dos sistemas visual, vestibular e
somatossensorial (proprioceptores articulares, musculares e tcteis). 22,23
Para a
a

quisio do equilbrio postural necessrio estabelecer interaces entre os
mecanismos provenientes de impulsos do sistema proprioceptivo, vestibular e
culo-motor. As informaes provenientes destes sistemas so processadas
pelo sistema nervoso central e retornam pelas vias eferentes, para manter o
controlo do equilbrio corporal por aco de msculos antigravticos. 23

A maioria dos estudos demonstra que, com o aumento da idade
cr

onolgica, existe uma menor eficcia de actuao dos sistemas de controlo:
o padro da marcha apresenta-se com base de suporte mais alargada, h

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
6

limitao do movimento por dor e desconforto, existe uma diminuio no
tamanho da passada e rotao do tronco. 22

A

capacidade de realizar actividades com confiana na rotina diria
requer, por parte do idoso, uma tentativa de criar estratgias para manter a
sua mobilidade no ambiente que o rodeia. 24

P

ara a manuteno do equilbrio necessrio proceder-se a uma
estratgia de movimento automtico, atravs do reajustamento do centro de
gravidade (CG) na base de suporte (BS). Se no ocorrer esta adaptao o
indivduo perde o equilbrio e tender a cair.
As limitaes na capacidade para
m

udar o centro de CG para os limites de estabilidade podem provocar
diminuio na capacidade para a realizao de actividades nos idosos. Perder
o equilbrio e dar um passo indica que a estratgia de postura usada para
manter o CG sobre a BS foi excedida e que um novo movimento foi despertado
para manter o balano corporal. 24

A

postura correcta aquela em que se verifica equilbrio do corpo na
base de suporte, com menor gasto energtico. O Homem assume a posio
bpede devido ao controlo postural que necessrio, no s para a
manuteno de uma determinada posio bem como para a locomoo. 22

A

instabilidade na posio bpede mais pronunciada nos idosos do que
nos indivduos com idades compreendidas entre 16 e 59 anos, que conseguem
controlar eficazmente alteraes no centro de gravidade.
Aqueles que tm
i

dades compreendidas entre os 6 e os 14 anos e entre 60 a 80 anos
apresentam grandes dificuldades em controlar tais alteraes. O tempo de
equilbrio para pessoas com menos de 30 anos de 22 segundos, enquanto
que para aqueles com mais de 70 anos no mais do que 13 segundos. Em
50% dos adultos a instabilidade postural requer assistncia no equilbrio. 20

2 Q UEDAS NOS IDOSOS

A
s consequncias fsicas, psicolgicas e sociais na terceira idade
reduzem a qualidade de vida e aumentam a incapacidade fsica e a
probabilidade de futuras quedas. 3,25

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
7

As quedas lideram os problemas actuais nos idosos 4,23,26,27,28
que, no s
l
evam a um aumento da incapacidade dos mesmos, afectando a qualidade de
vida, como tambm a um acrscimo de mortalidade 4,26,27,28,29,30,31
e
m

orbilidade 3,29,30,31
. Aproximadamente 35% a 40% da comunidade de idosos
co

m idade igual ou superior a 65 anos cai uma ou mais vezes em cada ano. 29
A incidncia de quedas nos idosos aumenta com a idade, verificando-se
u

m aumento de 35 a 40% de quedas nas pessoas com idade superior a 60
anos 20
e com maior ocorrncia durante AVDs. 23
Estudos comprovam uma
m

aior prevalncia destes incidentes no sexo feminino relativamente ao sexo
masculino. 4,20

A

s consequncias das quedas nos idosos so um factor para a
predisposio de fracturas, principalmente, ao nvel da coxo-femural 2,30
,
co

luna 4,30
, membro superior 4
, plvis 4
e joelho 4
, apresentando, assim, um efeito
d

ramtico na qualidade de vida. 30
Cerca de 90 - 95% das fracturas ao nvel da
co

xo-femural em pessoas idosas deve-se ocorrncia de quedas. 4,23
Aproximadamente 20% destas mulheres no sobrevivem no primeiro ano aps
a
fractura, e outras 20% no sentem confiana para realizar marcha de forma
independente. 20

2.1 F ACTORES DE R ISCO

Vrios estudos realizados focaram factores de risco para as quedas em
i

dosos. 4,32
Os factores que levam a um acrscimo do nmero de quedas podem
se

r divididos em intrnsecos e extrnsecos. 4,29

C

omo factores intrnsecos so de mencionar a idade avanada 4,29
, o
se

dentarismo 4
, as limitaes funcionais 4
, o histrico de quedas 4
, o tipo de
m

edicao 3,4,20,29
(sedativos e antidepressivos), as alteraes do equilbrio 3,4,29

e

da marcha. 4
Outros factores internos incluem: doena neurolgica 4
,
p

roblemas visuais 20,29,31
, incontinncia urinria 4
e fraqueza muscular (por falta
d

e estmulo neuromuscular) 4,20
, aumento do tempo de reaco 22
, dfices
co

gnitivos 4
, deficincias sensoriomotoras 30
e alteraes msculo-
e

squelticas 29
. Existem, tambm, factores intrnsecos relacionados com o nvel
p

sicolgico e social, como a depresso e a perda de consciencia 5
. A fraqueza

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
8

muscular, falta de equilbrio e alteraes da marcha so factores de risco
primordiais para a ocorrncia de quedas. 32

R

elativamente aos factores extrnsecos fazem parte: as condies
ambientais na habitao 4,31
, principalmente a presena de objectos ou
o

bstculos inesperados 4,31
e iluminao reduzida. 4,31
O resultado de uma queda , geralmente, a associao de um factor
e
xtrnseco com outro intrnseco. 4

Os idosos sedentrios, devido ao estilo de vida adoptado, apresentam
d

iminuio da funcionalidade, inactividade e desgaste emocional. Qualquer um
destes factores ou a combinao destes pode desencadear uma queda, sendo
que o nvel de performance inferior ao normal. 3
A maior parte dos factores de risco de quedas contribuem para a
i
mobilidade e declnio funcional.
diminuio da funo fsica, acrescenta-se o
m

edo de cair, a diminuio de mobilidade e o aumento da dependncia
funcional, numa tentativa de prevenir futuras quedas. 20
A falta de equilbrio e
m

obilidade so os maiores factores de risco para quedas. 33

A

s quedas ou a leso consequente pode no ser possvel de prevenir,
contudo, uma avaliao e interveno direccionada aos factores de risco de
queda, modificao habitacional e a avaliao da medicao para minimizar
efeitos secundrios (por exemplo tonturas e perda de conscincia)
podem
r

eduzir os riscos. 3,4

2

.2 MEDO DE C AIR

O medo de cair uma consequncia psicolgica comum das quedas e
reconhecido como um srio problema de sade, j que a sua prevalncia em
idosos de cerca de 29 a 55% 34
, sendo que a sua incidncia maior nas
m

ulheres que nos homens. 28
Contudo, idosos que no sofreram quedas
t

ambm reportam este medo. 28

O

medo de cair encontra-se associado diminuio da performance na
realizao dos testes de equilbrio, incluindo aumento espontneo do
balancear, diminuio da velocidade da marcha, aumento da dependncia e
diminuio da qualidade de vida. 28
Indivduos que caem desenvolvem o medo
d

e cair novamente, experimentam um ciclo de diminuio da actividade fsica,

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
9

aumento da ansiedade, depresso e isolamento social. 3
Verifica-se, ainda, uma
p
erda de auto-confiana tornando-se o medo de cair debilitante nos idosos. 3,33

E

ste ciclo, leva ao decrscimo do estado de sade e da mobilidade de idosos
sedentrios, o que levar, consequentemente, a uma instabilidade do equilbrio
e a um aumento para a predisposio de quedas. 3

O

medo de cair mais frequente em pessoas que j sofreram quedas
com alteraes na marcha, reduo da capacidade funcional e depresso, e
tem sido sugerido que a propenso para a queda dos indivduos resultado da
aco combinada de factores comportamentais, cognitivos, sociais e
biolgicos. 34
importante traar objectivos como, por exemplo, identificar as pessoas
q

ue apresentam maior risco de quedas e promover a educao e estratgias
de forma a que o conhecimento do risco se transforme em preveno. 34

3 A CTIVIDADE FSICA

A
actividade fsica e o exerccio regular foram identificados como os
factores com maior influncia na preveno de quedas e fracturas entre a
populao idosa. 22

A

actividade fsica descrita como o movimento do corpo que aumenta
substancialmente o dispndio de energia. normalmente dividida em
actividades ocupacionais e de lazer.
As actividades ocupacionais so
e

xecutadas no dia-a-dia, como andar, jardinagem e trabalho domstico. Quanto
s actividades de lazer so exemplos nadar, danar, ciclismo e ginstica. 22

N

o entanto, o exerccio usado para descrever uma actividade planeada
e estruturada onde os movimentos repetidos do corpo so realizados para
promover ou manter os componentes fsicos (por exemplo: treino de fora ou
programa de ginsio) e para melhorar a performance cardiovascular e reduzir
as quedas. 22

As evidncias indicam que a actividade fsica e o exerccio estruturado
ajudam a manter uma vida independente atravs da manuteno do equilbrio,
fora, resistncia, densidade ssea e a capacidade funcional e, desta forma,
previnem quedas e leses. Contudo, alguns tipos de exerccios ou de

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
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0

actividade fsica parecem no melhorar a estabilidade postural, nem prevenir
ou reduzir o risco de quedas. H, portanto, algumas actividades que levam ao
aumento do risco de quedas, uma vez que aumentam a exposio do indivduo
s condies de risco extrnsecas (cho escorregadio ou molhado, maus
pavimentos e piso irregular), aumento da fadiga, ou prticas inseguras. 22

O exerccio direccionado para reverter as limitaes fisiolgicas
a

ssociadas idade pode melhorar a capacidade aerbica mxima ou
sub-mxima, aumentar a performance cardaca, reduzir a presso sangunea
em repouso e produzir modificaes favorveis no corpo e na composio
ssea e muscular.
Deste modo, a morbilidade diminui invertendo os
d

esequilbrios fisiolgicos e reduzindo, assim, as perdas funcionais, sendo
importante na preveno e no tratamento de doenas crnicas. 19

O exerccio permite adquirir uma resposta protectiva no caso de queda
atravs do reforo do equilbrio 7,31
, tempo de reaco, coordenao,
f

lexibilidade, mobilidade, fora muscular
e diminuio do medo de cair. 31

O

s idosos sedentrios adoptam um padro de marcha com passos
curtos e velocidade inferior, comparativamente a idosos activos. Quando
requerido um aumento da velocidade, as pessoas idosas tendem a aumentar a
sua cadncia em vez do tamanho do passo, enquanto que os jovens fazem o
inverso.
O estilo de vida sedentrio foi considerado como um dos factores que
a

umenta o risco de quedas. As pessoas que j sofreram quedas tornam-se
menos activas e pode, inadvertidamente, surgir atrofia muscular e instabilidade
articular atravs do desuso. 22
Os efeitos do exerccio na mobilidade e independncia nos idosos so
u

ma preocupao primria, e a sua manuteno o principal objectivo.
A
m

obilidade uma fonte central e um exerccio benfico, para a independncia
nos idosos. 20

4 T AI C HI

O
Tai Chi uma arte tradicional chinesa que tem sido praticada ao longo
de sculos na China, quer por indivduos jovens, quer por idosos, tendo por
objectivo adquirir maior equilbrio e melhor controlo postural, entre outros. 35,36

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
1

1

Numerosos estudos reportam que a prtica de Tai Chi valiosa no
tratamento de diversas patologias e de especial aplicao em idosos. 7
Esta
m

odalidade direccionada ao movimento fsico, tcnicas respiratrias e
cognitivas que promovem o relaxamento da mente e o equilbrio. 7,10

Actualmente notvel um crescente reconhecimento deste exerccio
q

ue o torna numa tcnica teraputica de preveno e de reabilitao. 7
So
r

eferidas trs vantagens na prtica de Tai Chi: pode ser realizado por qualquer
pessoa, independentemente da idade ou gnero; no necessita de um
equipamento especial; e a durao de cada sesso flexvel de acordo com as
necessidades e tolerncia de cada indivduo. 10,11
Diversas investigaes concluram que o Tai Chi bem sucedido na
m

elhoria do equilbrio 9,11,37
, diminuio do receio de queda 9,11
, melhoria de
sa

de 9
e na reduo do risco de quedas. 9,11

O

Tai Chi leva tambm a um aumento da funo cardio-respiratria,
flexibilidade e fora muscular. 9,11,37
Um estudo desenvolvido para determinar a eficcia do Tai Chi como
m

eio de interveno teraputica na promoo do equilbrio e controlo postural
em idosos revelou que a sua prtica influencia a capacidade de equilbrio em
resposta a perturbaes internas, mas no a perturbaes externas. 10

O Tai Chi mencionado na literatura como uma tcnica para promover
co

nfiana e diminuir o medo de cair em idosos. 22,27
Este incide sobre a postura
e

movimentos de baixa velocidade, o que ajuda a reduzir a carga nas
articulaes nos membros inferiores, particularmente no joelho e tornozelo. 35

Estudos caracterizam o Tai Chi como uma forma de exerccio
moderado 37,38
que, apesar de no ser indicado exclusivamente para melhorar a
ca

pacidade aerbica, pode melhorar a flexibilidade e bem-estar psicolgico,
influenciando desta forma, a componente psicolgica dos indivduos.
Contudo,
n

o claro se os efeitos positivos do Tai Chi se devem apenas s suas
componentes de relaxamento e meditao, ou se so consequncia de vrios
factores perifricos, uma vez que sabido que a reduo do stress
frequentemente ocorre quando so propostas actividades que consideramos
agradveis e satisfatrias. 37

A

prtica de Tai Chi consiste na realizao de movimentos contnuos e
lentos com movimentos pequenos e largos, passagem de peso corporal de

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
1

2

unilateral para bilateral e movimentos circulares do tronco e extremidades
envolvendo contraces isomtricas e isotnicas.35
A respirao profunda e a
co

ncentrao mental so tambm necessrias para alcanar harmonia entre o
corpo e a mente. 38
Os movimentos suaves e lentos praticados nesta forma de
e

xerccio tambm contribuem para o relaxamento muscular, aumento da
resistncia, melhoria do equilbrio, da flexibilidade e da coordenao,
diminuindo, assim, a probabilidade de quedas. 23
O progressivo decrscimo de equilbrio, flexibilidade e capacidade
ca
rdiovascular so acontecimentos naturais associados ao envelhecimento. Os
estudos demonstraram que a prtica regular de Tai Chi durante um perodo
alargado de tempo pode diminuir a taxa desse declnio e, desta forma, deve ser
recomendada populao idosa. 38

5 H IDROTERAPIA

V
rios estudos reportam que a prtica de exerccio fsico promove
melhorias fisiolgicas a nvel muscular, do equilbrio, do tempo de reaco e da
flexibilidade em idosos. 9,39,40
A gua considerada o ambiente ideal para o
t

reino da resistncia, fora, flexibilidade e mobilidade geral. Contudo, no tm
sido efectuadas muitas pesquisas nesta rea. 13

O

exerccio aqutico, devido s propriedades de flutuao, uma
alternativa vivel para idosos com alteraes de equilbrio que apresentam
incapacidade para realizar exerccio fsico. 13,16,41
Decrscimos no sistema sensrio-motor e diminuio da massa
m
uscular relacionados com o envelhecimento podem contribuir para uma
diminuio do equilbrio e da estabilidade da marcha.
As actividades realizadas
d

entro da gua so indicadas principalmente para a populao idosa, levando
aquisio de posturas mais independentes. 42
O ambiente aqutico estimula
f

oras e sistemas de controlo de equilbrio, permitindo que indivduos com
factores intrnsecos de queda se exercitem de forma segura em posies
funcionais. 16

A

gua representa um ambiente de exerccio de risco reduzido que pode
diminuir a probabilidade de leses graves e o medo de cair e, portanto,

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
1

3

melhorar a participao e adeso.17
O treino de equilbrio realizado em terra
u
m excelente modo para melhorar o equilbrio, contudo, pode ser perigoso ou
mesmo receoso para determinados idosos, essencialmente quando estes esto
com medo de cair. O exerccio aqutico, por sua vez, ajuda a desenvolver a
confiana e diminui o medo e risco associado a queda. 12

S

egundo Ruoti et al.43
, as grandes vantagens de um programa de
h

idroterapia relativamente a um programa realizado em meio terrestre com
pessoas idosas, situam-se ao nvel do aumento da capacidade aerbica e da
diminuio do impacto sobre as articulaes dos membros inferiores devido ao
efeito de flutuao na gua. Tambm menor a energia dispendida para a
manuteno de uma postura na realizao de determinados movimentos.
Rissel 42
refere que o prazer e o contacto social provenientes da prtica de
h

idroterapia, em oposio aos exerccios realizados em meio terrestre por
vezes demasiado intensos, tornam-na mais apropriada para iniciar a actividade
fsica regular, no s para a comunidade idosa com incapacidades como para
o resto da populao.
Havendo ainda alguma falta de informao referente prtica de
h

idroterapia associada melhoria do equilbrio e medo de cair na comunidade
de idosos sedentrios, tambm se far referncia a estudos realizados noutras
situaes.
Suomi e Koceja 44
ao avaliarem a influncia de um programa de
h

idroterapia no equilbrio postural em indivduos do sexo feminino com idade
compreendida entre os 40 e 70 anos com artrite reumatide ou osteoartrite dos
membros inferiores concluram que o grupo experimental obteve melhorias no
equilbrio, relativamente ao grupo de controlo. Por outro lado, Lord et al.13
e Lord e
t al. 14
, em dois estudos realizados
q
ue avaliavam o equilbrio em idosos, verificaram que o grupo experimental
demonstrou melhorias significativas no equilbrio em comparao com o grupo
controlo. Paralelamente, o estudo realizado por Alexander e Butcher 15

d

emonstrou melhorias do equilbrio em participantes idosos aps um programa
de hidroterapia. Os programas de hidroterapia podem ser utilizados em conjunto com
outros programas realizados fora da gua ou como tratamento nico nas
diferentes patologias. 41

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
1

4

Actualmente nenhum estudo demonstrou os efeitos do Ai Chi, contudo
Devereux et al.17
desenvolveram um estudo com o objectivo de verificar a
i

nfluncia de um programa de hidroterapia no equilbrio, medo de cair e
qualidade de vida em idosos do sexo feminino. Este programa foi constitudo
por alguns exerccios do Tai Chi adaptados para o meio aqutico, de forma a
permitir a realizao de actividades que no seriam possveis de realizar em
meio terrestre e na resoluo do problema do medo. Verificaram-se melhorias
no equilbrio e diminuio do medo de cair no grupo de interveno
relativamente ao controlo. 17
Rissel 41
observou que, aps um programa de hidroterapia aplicado num
g

rupo de idosos com incapacidades fsicas, estes apresentaram melhorias a
nvel psicolgico, nomeadamente o aumento de confiana e motivao,
tornando-os, desta forma, mais activos e, consequentemente, mais
independentes nas AVDs. Coloca-se a hiptese de estas concluses poderem
ser atribudas ao aumento na confiana e reduo do medo de queda
adquiridas no meio aqutico.

P

or fim, Simmons e Hansen 42
avaliaram a influncia da prtica de quatro
t

ipos de exerccios: exerccio realizado no meio aqutico; exerccio realizado
em meio terrestre; acto de sentar na gua e acto de sentar em meio terrestre
durante um jogo de cartas, usando para tal uma populao idosa. Neste estudo
concluram que as pessoas que praticavam exerccio no meio aqutico
apresentaram melhorias do controlo postural, verificando-se um aumento na
confiana e reduo do medo de queda adquiridas no meio aqutico. 42

Resumindo, existem autores que defendem que a prtica de hidroterapia
p

roduz efeitos positivos sobre o equilbrio em idosos com patologias.

6 A I C HI

O
Ai Chi uma tcnica de relaxamento aqutico, que consiste num
programa de exerccios simples realizado na gua, que usa a combinao de
u

ma respirao profunda e lenta, movimentos amplos dos membros superiores,
membros inferiores e tronco. 18,45,46,47

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
1

5

A prtica desta modalidade dirigida a pacientes com osteoporose e
dfices de equilbrio, principalmente em idosos 18,45,46
, apresentando como
va

ntagens: o aumento da coordenao, do equilbrio, da flexibilidade e da
eficcia da respirao. 18,45,46
Segundo Konno e Sova 18
o programa de Ai Chi,
d

ireccionado para idosos sedentrios, permite no s o trabalho do equilbrio
como, tambm, a preveno de quedas. Os movimentos de Ai Chi aumentam o metabolismo e a circulao
sangunea e visam o trabalho de equilbrio e alongamento dos vrios grupos
musculares. 18,45,46

E

nquanto se pratica o programa de Ai Chi na posio de p, a altura da
gua dever incidir ao nvel dos ombros, com os joelhos ligeiramente flectidos.
De acordo com Konno e Sova 18
, apenas o simples respirar enquanto submerso
a

t aos ombros (sem qualquer movimento) leva a um aumento do consumo de
oxignio a 7%. No entanto, no existe evidncia cientfica que comprove estas
afirmaes. A temperatura ideal para este exerccio aqutico seria 31 a 36, para
que os msculos relaxem e, assim, ser possvel aumentar a amplitude de
movimento. Deve incentivar-se a respirao diafragmtica e a respirao deve
ser lenta e os msculos abdominais devem estar relaxados na inspirao e
contrados durante a expirao.
A respirao dever ser profunda e
d

iafragmtica, combinando a inspirao nasal com a expirao bucal. Quanto
maior o tempo inspiratrio maior o estado de relaxamento. 18

O

peso do corpo encontra-se em equilbrio durante a prtica de Ai Chi.
Os movimentos so simples, mas tornam-se complicados com a flutuao na
gua. 18
O utente aprende a mover-se e a recuperar o equilbrio usando a
i

mpulsosustentao da gua. 46
Para adquirir o equilbrio necessrio um
a

dequado alinhamento associado a um correcto trabalho postural. 18

E

xistem 16 movimentos: 5 respiratrios, 3 para os membros superiores,
5 para os membros inferiores, e 3 para os membros superiores e inferiores
( Anexo A). 18,45

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
1

6

6.1 P RINCPIOS DO AI C HI

Os princpios do Ai Chi so sete: 1) Yuan consiste em fazer os movimentos
de forma circular, encontrando a harmonia interna e externa; 2) Sung em
relaxar, interna e externamente para promover a circulao sangunea; 3)
Ching em evitar a tenso e rigidez corporal; 4) Yun em movimentar-se a
determinada velocidade, controlada pela mente; 5) Cheng em manter um bom
equilbrio e postura; 6) Shu em movimentar o corpo de forma fcil, confortvel e
relaxada e 7) Tsing em dirigir o pensamento para a mente, concentrar-se. 18,45,46

O Ai Chi foi projectado para preparar o utente para receber o trabalho
corporal aqutico, promovendo o conforto na gua e desenvolvendo a
confiana. 46
6
.2 B ENEFCIOS

Muitos benefcios decorrem da respirao e do estado de relaxamento,
e, so intrnsecos quando se est relaxado. Podem ser: neurobiolgicos (ao
nvel do sistema nervoso simptico e glndula pituitria),
cardio-respiratrios
(

influenciando a frequncia cardaca, VO 2 e presso sangunea), metablicos
(

interferindo no lactato sanguneo), no sistema msculo-esqueltico (ao nvel
do controlo motor, equilbrio e flexibilidade), sistema endcrino (epinefrina;
cortisol; TSH) e a nvel cognitivo (na ansiedade, no stress, na fadiga e na
irrigao cerebral). 18

C

ontudo, de acordo com a pesquisa bibliogrfica efectuada, no h
evidncia cientfica que comprove os benefcios anteriormente referidos.

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1

7

Captulo II : MTODOS

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
1

8

1. Tipo de Estudo
O estudo realizado foi do tipo experimental.

2. Amostra
A amostra foi seleccionada por convenincia, a partir da populao de
idosos institucionalizados, do Lar da Tranquilidade, do distrito de Santo Tirso,
respeitando-se os seguintes critrios:

Cr

itrios de incluso:

- Idade compreendida entre os 78 e os 88 anos;
-

Condio mdica ou fsica que permita uma participao segura nos
programas de hidroterapia. 14

-

Apresentao de risco mximo ou mdio de quedas (pontuao do Teste
Tinetti compreendida entre 0 e 24 pontos). 48
C

ritrios de excluso:

- Realizao de tratamento fisioteraputico durante o estudo. 16
- Prtica de actividade desportiva. 16
- Apresentao de contra-indicaes prtica de hidroterapia segundo Larsen
e
t. al 2002 49
(A
nexo B).
- Ausncia em 25% das sesses.
A

existncia dos critrios de incluso e excluso anteriormente
mencionados foi verificada atravs de entrevistas semi-estruturadas aos 50
voluntrios, assim como aos responsveis do Departamento Clnico do Lar da
Terceira Idade em questo. Foram rejeitados 18 indivduos por no
satisfazerem esses mesmos critrios. Seguidamente, aplicou-se o teste Tinetti,
segundo o protocolo que se descrever em seguida, com o intuito de verificar
se os 32 voluntrios apresentavam um risco de quedas dentro do definido nos
critrios de incluso. Como foi respeitado este critrio, uma amostra de 32
indivduos aceites para a investigao foram distribudos aleatoriamente por

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
1

9

dois grupos: grupo experimental e grupo controlo. Desta forma, cada indivduo
retirou um papel com o nome de um grupo do interior de um envelope opaco.
Foram usados 2 envelopes, um para os elementos do sexo masculino e outro
para o sexo feminino, de forma a garantir igual nmero de elementos dos 2
sexos em cada grupo.
O grupo experimental participou num programa de Ai Chi, enquanto que
o grupo controlo no foi sujeito a qualquer tipo de interveno. O diagrama da figura 1 demonstra o procedimento efectuado pelo
investigador na seleco da amostra.

Figura 1.
Fluxograma de participantes em cada fase de interveno.
Amostra
n = 50
Entrevista

Excludos n = 18

Randomizao n = 32

Grupo Experimental
n = 16
Grupo Controlo
n = 16
Avaliao Pr-interveno (n=32)

Ai Chi
n = 15

Sem interveno n = 15
Avaliao Ps-interveno (n=30)
Desistncia
n = 1
Desistncia
n = 1
Avaliao do equilbrio n=32

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2

0

Previamente, foram seleccionados, por convenincia, 10 indivduos quer
para o estudo piloto, quer para o teste-reteste, que obedeceram aos mesmos
critrios de incluso e critrio de excluso anteriormente referidos, e que no
participaram no estudo experimental.

3. Instrumentos utilizados
Para avaliar o medo de cair foi utilizada a Escala de medio do medo
de cair (FES); e para avaliar o equilbrio, a escala Avaliao da mobilidade e
equilbrio esttico e dinmico teste de Tinetti (POMA I).

3.1. Avaliao do medo de cair

A FES verso portuguesa foi utilizada para avaliar o medo de cair dos
participantes em estudo (ver em Anexo C). Este instrumento foi validado para a
populao portuguesa por Melo. 50
Nesta escala o indivduo questionado relativamente ao grau de
co

nfiana que tem na realizao de determinadas tarefas sem perder equilbrio
ou sem cair. Estas actividades foram avaliadas por uma escala de 1 a 10
pontos, sendo 1 correspondente a sem nenhuma confiana e 10 a muita
confiana. Valores baixos significam pouca confiana ou maior medo de cair,
valores mais altos significam muita confiana ou menor medo de cair. 50

M

elo 50
demonstrou a elevada fiabilidade da verso portuguesa da FES
n

o teste-reteste (ICC =0,95), tendo efectuado um intervalo de 72 horas entre as
duas medies. Confirmou, tambm, a validade de construo e de critrio da
mesma. 50

3

.2. Avaliao do equilbrio

A Performance-Oriented Mobility Assessment (POMA I) uma escala
que avalia a predisposio para as quedas em idosos institucionalizados.
Utilizou-se a escala validada para a populao portuguesa por Petiz ( Anexo D),
denominada por Teste de Tinetti, com o objectivo de avaliar o equilbrio dos
idosos constituintes da amostra. Este consiste numa avaliao quantitativa de

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
2

1

um conjunto de tarefas relacionadas com a mobilidade e equilbrio efectuados
pelo sujeito a pedido do investigador, com explicao prvia.51
Est dividido em duas partes. A primeira corresponde avaliao do
e

quilbrio esttico, com 9 itens pontuveis de 0 a 1 e 0 a 2, permitindo um
mximo de 16 pontos. A segunda parte avalia o equilbrio dinmico, tem 10
itens com uma pontuao que varia entre 0 e 1 e 0 e 2, num total de 12
pontos. 51

Relativamente verso portuguesa da POMA I, denominada por Teste
de Tinetti, Petiz 51
confirmou a elevada homogeneidade de contedo ( a=
0,97) e
fiabilidade no teste re-teste ( r de Pearson =0,96). A mesma autora verificou
tambm a validade de critrio do Teste de Tinetti, tendo sido utilizados, para o
efeito, o Functional reach test e o Timed up and go test , para o equilbrio
esttico e dinmico, respectivamente. 51
Petiz 51
descreveu ainda elevadas
co

rrelaes entre os testes anteriormente referidos, comprovando a validade
de critrio quer da sub-escala de equilbrio esttico ( r de Pearson =0,78), quer
da referente ao equilbrio dinmico ( r de Pearson =0,89).

4.Procedimentos

4.1. Estudo Piloto

Antes da realizao do estudo experimental foi efectuado um estudo
piloto com o objectivo de ser feita uma estimativa do tempo que,
provavelmente, seria dispendido na recolha de dados e na familiarizao e
treino do investigador cego com a Escala de avaliao do medo de cair e o
Teste de Tinetti.

4.2. Teste-reteste

Com o intuito de verificar a existncia de fiabilidade intra-observador do
investigador cego na aplicao da Escala de avaliao do medo de cair e o
Teste Tinetti foi efectuado um teste-reteste. Assim, o grupo de 10 elementos
seleccionados por convenincia da populao da Maia, com idade mdia de
80,40 2,413 constituiu o grupo teste-reteste. A amostra utilizada foi submetida

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
2

2

a duas medies para avaliar o equilbrio e o medo de cair, atravs da escala
Teste de Tinetti e Escala de medio do medo de cair , respectivamente. Aps
uma semana foram reavaliados o equilbrio e o medo de cair atravs dos
mesmos mtodos.

4.3. Estudo experimental

4.3.1.Avaliao do equilbrio e medo de cair

Foi efectuado um pedido de autorizao direco do Lar da
Tranquilidade, ao Centro Apoio Antnio Martins Ribeiro onde se realizou o
e

studo, bem como um pedido de autorizao aos autores das escalas de
medio que foram utilizadas neste estudo. ( Anexo E)
Os sujeitos tiveram um breve esclarecimento acerca da investigao que
iria ser realizada, antes de se proceder explicao das escalas, assim como
do que lhes iria ser pedido e do tempo previsto para tal execuo. As escalas foram aplicadas numa sala com uma temperatura constante,
dando especial ateno ao facto de todos os sujeitos realizarem as tarefas da
escala com o mesmo material. Inicialmente, todos os indivduos pertencentes amostra foram sujeitos
a uma primeira avaliao relativamente ao equilbrio e risco de quedas. Foi
realizada por um fisioterapeuta investigador cego, de modo a evitar o vis de
observador, atravs da aplicao do Teste Tinetti, que consistiu na observao
e avaliao quantitativa de um conjunto de tarefas relacionadas com a
mobilidade e equilbrio efectuadas pelo sujeito a pedido do investigador, com
explicao prvia. Para a aplicao deste teste utilizou-se a mesma cadeira,
um cronmetro e um percurso de 3 metros previamente marcado em terreno
no acidentado, isto , sem obstculos.

S

eguidamente, o mesmo observador cego procedeu aplicao da
escala de medio do medo de cair (FES), por entrevista pessoal. O grupo experimental participou num programa de Ai Chi, que se
descrever em seguida, durante 6 semanas, orientado pela investigadora do
estudo, certificada como instrutora de Ai Chi pelo Aqua Dynamics Institute. O
grupo controlo no foi sujeito a qualquer tipo de interveno, tendo recebido

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
2

3

instrues para no alterar a sua actividade fsica, AVDs e hbitos sociais
durante a realizao do estudo. Aps 6 semanas da primeira avaliao, todos os indivduos foram
reavaliados pelo mesmo observador cego relativamente ao equilbrio e medo
de cair. Este no teve informao, em qualquer momento, acerca do grupo a
que cada indivduo pertencia.

4.3.1. Elaborao e aplicao do programa de Ai Chi

Na fase experimental foi realizado um programa de Ai Chi subdividido
em dezasseis sesses, aplicado durante seis semanas consecutivas. Antes de realizar os exerccios programados decorreu a fase de
adaptao ao meio aqutico durante 2 sesses para permitir o ajuste mental
dos idosos ao meio aqutico, j que muitos dos participantes nunca tinham tido
contacto com este ou tinham muito receio de cair. O programa de Ai Chi foi
constitudo por 16 exerccios sendo: 5 respiratrios; 3 para os membros
superiores; 5 para os membros inferiores e, por fim, 3 para os movimentos
globais ( Anexo A).
Durante as aulas, a explicao dos diversos exerccios foi realizada pela
demonstrao e comunicao verbal, tendo sido tambm utilizada msica. Os participantes foram alertados para o facto de possurem tolerncias
diferentes para cada exerccio e que, no caso de sentirem qualquer desconforto
na realizao do mesmo, informassem a investigadora. Os exerccios aquticos foram realizados numa piscina teraputica, no
Centro Apoio Antnio Martins Ribeiro, com uma temperatura mdia de 30C.
A

s dimenses e a profundidade da piscina atestavam o ideal para que os
indviduos na posio de p e com os joelhos ligeiramente flectidos
permitissem que a gua ficasse ao nvel dos ombros, possibilitando a
acomodao das diversas alturas. A execuo dos movimentos foi realizada lentamente para facultar a
aprendizagem dos mesmos.

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
2

4

4.3.2. Descrio e explicao dos exerccios

Na execuo dos exerccios, o grau de dificuldade foi aumentado
progressivamente, suscitando repeties e perodos de durao diferentes. A
progresso do programa de Ai Chi que foi realizada descrita por Sova e
Konno 18
e encontra-se sumariamente descrita no seguinte quadro:

T
abela 1 - Progresso do programa de Ai Chi. 18

Legenda: N - nmero; x vezes; min. minutos

A
descrio dos exerccios ser apresentada no Anexo A.

Segunda-
-Feira
Tera-
-Feira
Quarta-
-Feira
Quinta-
-Feira
Sexta-
-Feira
Exerccios N de
repeties
N13 12x N13 8x
N13 12x
N13 8x
Primeira
Semana
Durao 10 min.
10 min.

Exerccios
N de
repeties
N1-10 12x N610 8x
N110 12x N610 8x
Segunda
Semana
Durao 15 20 min.
15 20 min.

Exerccios
N de
repeties N110 8x
N110 4x N110 8x
N110 4x
N110 8x
N110 4x

Terceira
Semana
Durao 20 min.
20 min.
20 min.
Exerccios
N de
repeties N113 8x
N1113 8x
N113 8x
N1113 8x
N113 8x
N1113 8x

Quarta
Semana
Durao 25 min.
25 min.
25 min.
Exerccios
N de
repeties N116 8x
N1416 8x
N116 8x
N1416 8x
N116 8x
N1416 8x

Quinta
Semana
Durao 30 35 min. 30 35
min. 30 35 min.
Exerccios
N de
repeties N116 10x

N116 10x

N116 10x

Sexta
Semana Durao 25 30 min.
25 30
min.
25 30 min.

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
2

5

5. tica
Os indivduos seleccionados para o estudo foram claramente informados
sobre os procedimentos prticos, tendo assinado um consentimento, conforme
os padres ticos da Declarao de Helsnquia (1983), ( Anexo F) que
especificou as circunstncias em que seria efectuado o estudo, podendo, no
entanto, abandon-lo em qualquer momento, por qualquer motivo. Aps o
levantamento dos dados estes foram codificados de forma a preservar o sigilo
e a privacidade dos participantes, no podendo ser utilizados para qualquer
outro fim, para alm dos mencionados, sem a devida autorizao.

6. Procedimentos Estatsticos

Para a anlise estatstica dos dados recolhidos foi utilizado o programa
informtico Statistical Package for Social Sciences 15.0
(SPSS Inc., Chicago,
E

stados Unidos da Amrica). Foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk com a finalidade de determinar a
normalidade da distribuio dos dados. Para a caracterizao demogrfica, quer da amostra do teste- reteste,
quer do estudo experimental, recorreu-se estatstica descritiva, no que
respeita idade e pontuaes obtidas na FES e POMA I. Para tal, recorreu-se
mdia como medida de tendncia central e ao desvio padro como medida
de disperso.
6.1. Teste-Reteste
Para determinar a fiabilidade intra-observador das pontuaes obtidas
atravs da aplicao da FES e POMA foi utilizado o coeficiente de correlao
intraclasses (ICC 3
,1 ). Calculou-se, tambm, o
e rro standard de medio
(SEM), determinado atravs da equao: SEM =
)1(
2rs-
x , onde s2

co
rresponde varincia total e r equivale ao ICC anteriormente calculado 52,53
.
A

inda foi calculada a diferena mnima detectvel, atravs da frmula:
1,96
xSEM2 , que determinou a diferena mnima necessria (DMD) para se

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
2

6

afirmar com segurana que a alterao ocorrida foi consequente de uma
modificao real nas pontuaes das escalas e no apenas um erro entre as
duas avaliaes.52,53

6
.2. Caracterizao da amostra

Com o objectivo de comparar as idades mdias de ambos os grupos foi
utilizado o teste Mann-Whitney.

6.3. Avaliao pr-interveno

Para comparar os valores mdios das pontuaes das escalas relativos
ao medo de cair e equilbrio, em ambos os grupos foi utilizado o teste Mann-
Whitney.

6.4. Avaliao ps-interveno

Para comparar os valores referentes avaliao inicial com os da
reavaliao do medo de cair e equilbrio no grupo controlo e no grupo
experimental, o teste Wilcoxon.
Utilizou-se o teste Mann-Witney com o intuito de efectuar a comparao
da variao dos valores da avaliao incial e da revaliao das escalas
referidas anteriormente, em ambos os grupos.

O nvel de significncia utilizado foi de a = 0,05.

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
2

7

Captulo III : RESULTADOS

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
2

8

RESULTADOS

1

. Teste-Reteste
:

A amostra do grupo teste-reteste foi constituda por dez indivduos (cinco
do sexo feminino e cinco do sexo masculino, idade mdia de 80,40 2,413
anos). A tabela seguinte apresenta os resultados obtidos no teste-reteste,
assim como o erro de medio existente entre os dois momentos de avaliao.

Tabela 2 Estatstica descritiva relativa aos valores obtidos no teste-reteste, e o respectivo erro entre
a

mbos os momentos.

Legenda:
x- mdia; (dp) (desvio padro); Mx. mximo; Mn. mnimo.

O
s resultados do teste-reteste referentes avaliao do medo de cair,
atravs da Escala de medio do medo de cair e do equilbrio total, esttico e
dinmico atravs do Teste de Tinetti total, esttico e dinmico,
respectivamente, indicam que existe um excelente nvel de fiabilidade intra-
observador de acordo com os critrios estabelecidos por Portney e Watkins. 53

Os valores de ICC, SEM e DMD referentes s escalas FES, Teste Tinetti
total, esttico e dinmico so apresentados na tabela 3.

Grupo Teste Reteste Erro
Varivel x
(dp) Mx. Mn. x
(dp) Mx. Mn. x
(dp) Mx. Mn.
FES 35,80
(
20,96) 83 15
33,30
(21,33) 80 13
-2,5
(0,37) -3 -2
Tinetti
Total 14,30
(
6,20) 24 6 13,80
(6,46) 26 6 -0,5
(0,26) 2 0
Tinetti
Esttico 8,10
(
4,04) 13 3 8,20
(3,97) 16 2 0,1
(-0,07) 3 -1
Tinetti
Dinmico
6,20
(2,57) 11 2 5,60
(2,91) 10 2 -0,6
(0,34) -1 0

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
2

9

Tabela 3 Fiabilidade intra-observador da escala de medio do medo de cair (FES), Teste Tinetti e as
suas sub-escalas.

O

SEM obtido para as escalas referidas anteriormente foi reduzido.
A DMD tambm foi reduzida. Assim, apenas quando a variao da
amplitude articular superior aos valores obtidos no clculo da DMD que se
pode afirmar com confiana que a alterao foi real e no a um erro entre as
duas medies. 52,53

O

excelente nvel de fiabilidade intra-observador possibilitou o
prosseguimento do estudo.

Grupo Teste-Reteste
Varivel ICC 3,1

Intervalo de
Confiana (95%)

SEM DMD
FES 0,957
0 ,825 0,989 0,077 0,769
Tinetti
Total 0,961

0 ,842
0,990 0,051 0,630
Tinetti
Esttico
0,947

0 ,788
0,987 0,016 0,351
Tinetti
Dinmico
0,910

0 ,639
0,978 0,102 0,885

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
3

0

2. Estudo Experimental:

2.1 - Caracterizao da Amostra:

O grupo controlo foi constitudo por quinze indivduos (nove do sexo
feminino e seis do sexo masculino, com idade mdia de 83,20 3,802 anos).
O grupo experimental foi, tambm, constitudo por quinze indivduos
(nove do sexo feminino e seis do sexo masculino, com idade mdia de 81,67
3,288 anos). Verificou-se que no existiam diferenas estatisticamente significativas
entre os dois grupos relativamente idade ( Mann-Whitney U=82,000; p=0,202),
no momento inicial do estudo. Desta forma, estes resultados indicam que os
grupos so comparveis entre si, relativamente idade, pelo que eventuais
alteraes no medo de cair e equilbrio dos idosos no estaro relacionados
com a constituio dos grupos.
2.2 Avaliao do medo de cair e equilbrio na fase pr-interveno

A figura 1 apresenta os valores referentes avaliao mdia do medo
de cair em cada um dos grupos, na fase pr-interveno.
68,60
57,67
0,00
10,00 20,00
30,00
40,00
50,00
60,00
70,00
80,00
90,00
Grupo Controlo Grupo Experimental
FES
(Pontuao)Pr-interveno

Figura 1 Valores mdios da avaliao do medo de cair na fase pr-interveno nos grupos
co

ntrolo e experimental.

19,91
21,30

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
3

1

Verificou-se que no existiam diferenas estatisticamente significativas
entre os resultados mdios de avaliao do medo de cair ( Mann-Whitney
U=75,000; p=0,119) quando se efectuou a comparao entre o grupo controlo
e experimental. Desta forma, estes resultados indicam que ambos os grupos
eram comparveis entre si, relativamente ao medo de cair na fase de pr-
interveno, pelo que eventuais alteraes deste medo, na fase de ps-
interveno, no estaro relacionadas com diferenas da capacidade de a
detectar no momento inicial da investigao.
A figura 2 ilustra os valores relativos avaliao mdia do equilbrio
esttico, dinmico e total em cada um dos grupos, na fase pr-interveno,
respectivamente.

15,93
11,73
7,13
5,27
8,80
6,47
0,00 5,00
10,00 15,00 20,00 25,00
GC GE GC GE GC GE
Tinetti Esttico Tinetti Dinmico Tinetti Total
Teste Tinetti
( Pontuao)
Pr-interveno

Legenda: GC Grupo controlo; GE Grupo experimental.

Figura 2 Valores mdios da avaliao do equilbrio esttico, dinmico e total na fase pr
i

nterveno nos grupos controlo e experimental.

As diferenas entre os resultados mdios de avaliao do equilbrio
r

eferente s pontuaes do Teste Tinetti total no se revelaram
estatisticamente significativas ( Mann-Whitney U=66,000; p=0,053) quando se
efectuou a comparao entre ambos os grupos. As diferenas entre o equilbrio
esttico ( Mann-Whitney U=69,500; p=0,073) e dinmico ( Mann-Whitney
U=68,500; p=0,066), tambm no foram estatisticamente significativas, no
5,64
6,23
3,66

2,40 3,04 3,34

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
3

2

momento inicial do estudo. Deste modo, poderemos considerar que ambos os
grupos so semelhantes no que se refere ao equilbrio no momento de pr-
interveno. Eventuais alteraes no equilbrio, na fase ps-interveno, no
estaro relacionadas com diferenas da capacidade de o detectar no momento
inicial da investigao.
2.3 Avaliao do medo de cair e do equilbrio na fase ps-interveno:

A prxima figura ilustra os valores pertencentes avaliao mdia do
medo de cair entre o momento de reavaliao ps-interveno em cada um
dos grupos da amostra.
43,60 70,07
0,00
10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00
Grupo Controlo Grupo Experimental
FES
(Pontuao)Ps -interveno

Figura 3 Valores mdios da avaliao do medo de cair na fase ps-interveno nos grupos
controlo e experimental.

A
s diferenas entre os resultados mdios de avaliao do medo de cair,
no momento ps interveno verificaram-se estatisticamente significativas
( Mann-Whitney U=35,000; p=0,001) quando se efectuou a comparao entre o
grupo controlo e experimental.
A figura 4 retrata a avaliao mdia do equilbrio total e
discriminadamente o equilbrio esttico e dinmico entre o momento de
reavaliao ps-interveno em cada um dos grupos da amostra.
13,28
20,73

p 0,05

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
3

3

13,33
9

,80
6,27
12,47
7,07 22,27
0,00 5,00
10,00
15,00 20,00 25,00
30,00
GC GE GC GE GC GE Tinetti Esttico Tinetti Dinmico
T
inetti Total
Teste Tinetti
(Pontuao) Ps-interveno

Legenda: GC Grupo controlo; GE Grupo experimental.

Figura 4 Valores mdios da avaliao do equilbrio esttico, dinmico e total na fase ps-
interveno nos grupos controlo e experimental.

As diferenas entre os resultados mdios de avaliao do equilbrio
esttico, dinmico e total no momento ps-interveno tambm se verificaram
estatisticamente significativas, respectivamente Teste Tinetti esttico ( Mann-
Whitney U=32,500;p=0,001), dinmico ( Mann-Whitney U=44,000;p=0,004) e
total ( Mann-Whitney U=38,000;p=0,002) quando se efectuou a comparao
entre o grupo controlo e experimental.

7,31
6,61
4,20
3,68
3,31
2,98
p 0,05

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
34

2.4 Avaliao do medo de cair e equilbrio (pr e ps-interveno):
A figura que se segue retrata a comparao do medo de cair em cada
um dos grupos, entre a fase pr e ps-interveno.

68,60
57,67
43,60 70,07
0,00
10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00
70,00 80,00 90,00
Grupo Controlo Grupo Experimental
FES
(Pontuao)Pr-interveno
Ps-interveno
21,30
13,28
19,91 20,73

Figura 5 Valores mdios da avaliao do medo de cair nas fases pr e ps-interveno nos
grupos controlo e experimental.

As diferenas entre os resultados mdios de avaliao do medo de cair
e a sua reavaliao ps-interveno, no grupo controlo revelaram-se
estatisticamente significativas ( Wilcoxon Z=-2,528; p=0,011).
No grupo experimental, as diferenas entre os resultados mdios de
avaliao do medo de cair e sua reavaliao ps-interveno no se revelaram
estatisticamente significativas ( Wilcoxon Z=-1,024; p=0,306).
Na figura 6 apresentam-se os resultados obtidos relativamente
comparao das mdias de avaliao do equilbrio esttico, dinmico e total,
entre os dois momentos de avaliao, no grupo experimental e controlo.

p 0,05

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
35
15,93
1

1,73
7,13
5,27
8,80
6,47 22,27
13,33
9,80
6,27
12,47
7,07
0,00 5
,00
10,00 15,00 20,00 25,00 30,00
GC GE GC GE GC GE Tinetti Esttico
T
inetti Dinmico Tinetti Total
Teste de Tinetti
(Pontuao) Pr-interveno Ps-interveno

Legenda: GC Grupo controlo; GE Grupo experimental.

Figura 6 Valores mdios da avaliao do equilbrio esttico, dinmico e total na fase pr e ps-
interveno nos grupos controlo e experimental.

Pela observao da figura 6, pode-se confirmar que no houve
diferenas estatisticamente significativas no grupo controlo relativamente ao
equilbrio total ( Wilcoxon Z=-1,140;p=0,254), esttico ( Wilcoxon Z=-
1,201;p=0,230) e dinmico ( Wilcoxon Z=-1,276; p=0,202).
No grupo experimental, relativamente s variveis Teste Tinetti total
( Wilcoxon Z=-3,298;p=0,001), esttico ( Wilcoxon Z=-3,310;p=0,001) e dinmico
( Wilcoxon Z=-3,193; p=0,001) verificaram-se diferenas estatisticamente
significativas.

3,66 4,20
3,34 3,68
2,40 3,31
3
,04 2,98 5,63 7,31 6,23 6,61
p 0,05

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
36

As figuras que seguem ilustram a variao do medo de cair (fig.7) e do
equilbrio esttico, dinmico e total (fig.8) entre o momento da avaliao e o
momento da reavaliao ps-interveno em cada um dos grupos da amostra.

-14,07 1,47
-20,00 -15,00 -10,00
-5,000,00 5,00
Grupo Controlo Grupo Experim ental
Variao da FES (Pontuao)

F

igura 7 Valores mdios da variao do medo de cair nos grupos controlo e experimental.

0,60 3,67
1,002,33
1,606,00
0,00 2 ,00
4,00 6,00
GC GE GC GE GC GE
Tinetti Esttico Tinetti Dinmico Tinetti Total
Variao do equilbrio (Pontuao)

F

igura 8 Valores mdios da variao do equilbrio total, esttico e dinmico nos grupos controlo
e experimental.

Para se verificar a variao do medo de cair, do equilbrio esttico e
dinmico e do equilbrio total, foi calculada a diferena entre os valores mdios
no momento da sua avaliao e reavaliao ps-interveno.

4,95
2,51
2,41
2,95 15,77
10,99
3,91
1,88
p 0,05

p 0,05

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
37

As diferenas entre a variao mdia no grupo controlo e no
experimental foram estatisticamente significativas no medo de cair ( Mann-
Whitney U=49,000;p=0,008) e no equilbrio esttico ( Mann-Whitney U=51,000;
p=0,010) e total ( Mann-Whitney U=57,000;p=0,021). Relativamente ao
equilbrio dinmico as diferenas no foram estatisticamente significativas
( Mann-Whitney U=69,500;p=0,071).

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
38

Captulo IV: D ISCUSSO

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
39

Discusso

A hidroterapia uma das reas de interveno da fisioterapia que tem
merecido um especial interesse ao longo dos ltimos anos. O meio aqutico
tem demonstrado inmeros benefcios teraputicos a diversos nveis. 54
O Ai
C

hi, sendo uma tcnica de hidroterapia, que tem ganho uma grande ateno
por parte dos fisioterapeutas 55
, tem-se revelado importante na preparao do
u

tente para receber trabalho corporal aqutico, promovendo conforto na gua e
desenvolvendo a confiana, afectando, deste modo, o nvel fsico, psicolgico e
emocional do indivduo. 18
Contudo, actualmente, so poucas as pesquisas realizadas no sentido
d

e evidenciar a eficcia da hidroterapia. 39
Verificou-se, ainda, a inexistncia de
e

studos efectuados sobre a prtica de Ai Chi no equilbrio e medo de cair em
idosos. Consequentemente, achou-se pertinente desenvolver este estudo. As limitaes deste trabalho prendem-se, principalmente, com o
reduzido tamanho amostral e com o tempo de realizao do programa de Ai
Chi. O tempo pr-definido para a realizao de um programa de hidroterapia
est dependente do tipo do mesmo e da populao alvo a ser aplicado.
Konno
e

Sova 18
definiram um exemplo de uma possvel progresso de um programa
d

e Ai Chi durante um perodo de tempo de seis semanas. Por conseguinte, e
tendo como nico modelo esta referncia, decidiu-se aplicar esta progresso.
No entanto, os mesmos autores referem que podem ser feitas alteraes
relativamente ao nmero de repeties, durao do programa, amplitude de
movimento, profundidade da gua e tcnica. Este estudo foi realizado com o objectivo de verificar qual o efeito de um
programa de Ai Chi ao nvel do equilbrio e medo de cair em idosos. Os resultados sugerem haver aumentos estatisticamente significativos
no equilbrio esttico e dinmico no grupo experimental comparativamente com
o grupo controlo. No entanto, no que concerne ao medo de cair as diferenas
no foram estatisticamente significativas, havendo uma tendncia para a
diminuio do medo de cair. No provvel que os resultados tenham sido enviesados pela
constituio dos grupos, uma vez que no apresentaram diferenas
relativamente idade e sexo. Ambos os grupos eram tambm comparveis no

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
40

que diz respeito ao medo de cair e equilbrio, uma vez que no foram
encontradas diferenas significativas entre os valores de cada grupo no
momento pr-interveno.
Os resultados obtidos no teste-reteste relativamente escala de
medio do medo de cair, teste de Tinetti e as suas subescalas, apresentaram
altos nveis de fiabilidade de acordo com os critrios estabelecidos por Portney
e Watkins. Sendo assim, pouco provvel que este resultado esteja
relacionado com um erro de medio. 53

Os resultados obtidos na pontuao da FES no presente estudo (ICC 3,1
= 0,96) foram semelhantes aos encontrados na investigao de Melo 50
que
va

lidou o mesmo instrumento para a populao portuguesa (ICC =0,95).
Contudo o perodo de tempo entre a avaliao e reavaliao no estudo de
Melo 50
foi diferente (72 horas) do estabelecido no presente estudo (168hrs).
R
elativamente verso portuguesa do Teste de Tinetti, Petiz 51
verificou
e

xistir uma elevada fiabilidade no teste-reteste, bem como o presente estudo
estudo (ICC 3,3 = 0,96).
S

egundo Russek 53
, o SEM clinicamente til, uma vez que ajuda a
d

eterminar o quanto a segunda medio necessita diferir da primeira, para se
afirmar com segurana que a variao no se deve a erro no teste-reteste. No
est

udo efectuado, os valores obtidos para o erro standard de medio relativos
s escalas FES e Teste Tinetti foram reduzidos. A diferena mnima necessria para afirmar com segurana que a
alterao ocorrida foi consequente de uma modificao real na capacidade de
deteco do medo de cair e equilbrio, e no apenas um erro entre os dois
momentos de avaliao tambm foi mnima.

N

o grupo experimental e no grupo controlo, as variaes encontradas
entre ambos os momentos relativamente ao medo de cair e equilbrio foram
superiores ao valor da diferena mnima calculada. ento possvel afirmar
com segurana que ocorreu uma variao do equilbrio e medo de cair aps
seis semanas.

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
41

1.1 Variao no grupo controlo

A variao do medo de cair entre ambos os momentos, no grupo
controlo foi estatisticamente significativa. Apesar do reduzido nmero tamanho
amostral, parece haver evidncia de que os indivduos que no foram
submetidos a interveno apresentaram uma diminuio na pontuao da FES.
O facto de haver esta diferena indica uma tendncia para o aumento do medo
de cair que poder estar relacionado com o sedentarismo do grupo em
questo. A literatura refere que o exerccio fsico pode efectivamente contribuir
para a modificao do estilo de vida sedentria adoptado pela maior parte dos
idosos, diminuindo o risco de quedas 22
e promovendo melhorias no
e

quilbrio 7,32
e na fora muscular. 32
Neste sentido, a prtica do exerccio fsico
su

rge como um factor benfico para os idosos, que ter como consequncia
um incremento da independncia funcional. 20
No entanto, com o avanar da
i

dade, a falta de confiana e a presena de medo de cair restringem os nveis
de actividade fsica. 3
Este estilo de vida sedentrio associado s alteraes nas
ve

rtentes fsica, psicolgica e social 35
, prprias da sua idade possivelmente
l

evam a uma diminuio do equilbrio. 20

P

ela anlise dos resultados obtidos verifica-se que a variao do
equilbrio, entre os momentos pr e ps-interveno no grupo controlo no foi
estatisticamente significativa. Isto leva-nos a considerar que existe um forte
vnculo entre o sedentarismo, o aumento do medo de cair e a diminuio do
equilbrio com o avanar da idade.
1.2.Variao no grupo experimental

Neste estudo no se verificaram diferenas estatisticamente
significativas nas pontuaes da escala de medio do medo de cair (FES),
nas fases pr e ps interveno, no grupo experimental. No entanto, os valores
mdios das pontuaes desta escala aumentaram, o que significa que houve
ligeiras melhorias com consequente diminuio do medo de cair. O facto
destas diferenas no terem sido estatisticamente significativas poder dever-

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
42

se subjectividade das respostas dadas pelos idosos e ao perodo de intervalo
entre as duas avaliaes a que foram sujeitos.
Apesar de no ser estatisticamente significativa, esta melhoria tambm
pode ser explicada pela influncia da interaco e socializao resultante da
interveno do programa, na vertente psicolgica destes indivduos (o facto de
se sentirem mais confiantes) como tambm na capacidade fsica dos mesmos
(na adopo de estratgias para vencer desequilbrios). Na investigao de Devereux et. al17
cujo objectivo foi verificar os efeitos
d

e um programa de hidroterapia no equilbrio, medo de cair e qualidade de vida
em idosas, no se verificaram melhorias estatisticamente significativas entre os
grupos, na escala FES Modificada (MFES). sugerida como possvel
explicao para os resultados obtidos, o facto dos constituintes da amostra
possurem j uma elevada auto-confiana no incio do processo do estudo,
apresentando partida valores elevados prximos do mximo, deixando uma
pequena oportunidade para melhor-los com a interveno. No presente estudo e no acima citado, os indivduos pertencentes ao
grupo experimental referiram melhorias no nvel de confiana relativamente
preveno de quedas e aumento da actividade fsica. Contudo, no possvel
a comparao directa dos resultados obtidos entre ambos os estudos, uma vez
que o tamanho amostral do estudo acima citado apenas representativo do
sexo feminino. Para alm deste factor, a escala de medio do medo de cair e
o programa de hidroterapia so diferentes. Relativamente a trabalhos cientficos realizados fora do ambiente
aqutico, Trader 3
realizou um estudo para avaliar o medo de cair em idosos
se

dentrios aps um programa de preveno de quedas. O questionrio
utilizado para medir o medo de cair foi a FES, verificando-se que no existiam
diferenas estatisticamente significativas nas pontuaes da referida escala,
entre o grupo que sofreu quedas nos ltimos seis meses e o grupo que no
sofreu quedas. Os indivduos do primeiro grupo referiram que o facto de terem
medo de cair estava relacionado com a diminuio das actividades fsicas.
Contrariamente, os elementos do segundo grupo mencionaram que apesar de
terem medo de cair isso no era impeditivo de determinadas actividades. Esta
poder ser uma possvel justificao para as diferenas das pontuaes
obtidas nesta escala no serem estatisticamente significativas, o que vem frisar

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
43

o facto do medo de cair poder ou no influenciarlimitar a realizao de
determinadas actividades.
A anlise dos resultados obtidos neste estudo sugere que o programa Ai
Chi melhora o equilbrio. Apesar de diversos estudos terem concludo que a prtica regular de
actividade fsica acarreta uma maior capacidade de equilbrio, no que diz
respeito aos procedimentos efectuados no presente estudo, optou-se por uma
avaliao discriminada dos valores obtidos no Teste Tinetti esttico e dinmico.
Seria de todo pertinente a comparao dos valores obtidos com os de outro
e
studo cujo objectivo incidisse sobre estas variveis. No entanto, no foram
encontrados estudos que relacionassem estas variveis com um programa de
hidroterapia, como j foi referido anteriormente. Assim, este estudo no
concerne avaliao do equilbrio ser feita uma comparao com outros
estudos que utilizaram escalas de medio diferentes, bem como programas
de hidroterapia com durao e composio de exerccios diferentes. Ao analisar a literatura existente, verificam-se opinies unnimes no que
concerne importncia da prtica de hidroterapia no equilbrio em idosos.
Simmons e Hansen 42
num estudo cujo objectivo foi verificar se o exerccio
r

ealizado na gua tinha eficcia na diminuio do risco de quedas verificaram
melhoras estatisticamente significativas no aumento do controlo postural
atravs dos exerccios realizados no meio aqutico. Este torna-se um ambiente
seguro devido capacidade de realizar e corrigir movimentos incorrectos,
proporcionando feedback proprioceptivo para o movimento. 42
Desta forma,
co

ncluram que os participantes no programa de hidroterapia apresentaram
melhorias estatisticamente significativas no Functional Reach Test (FRT),
comparativamente com o grupo que realizou exerccio no meio terrestre.
Apesar da escala de avaliao ser diferente do estudo realizado, estes
resultados vo de encontro aos obtidos, uma vez que foram obtidas melhorias
nos mecanismos de controlo postural para a preveno de quedas. Actualmente nenhum estudo demonstrou os efeitos do Ai Chi, contudo
Devereux, Robertson e Briffa 17
desenvolveram uma investigao baseada em
e

xerccios de Tai Chi adaptados ao meio aqutico. Teve como objectivo
verificar a influncia de um programa de hidroterapia no equilbrio, medo de
cair e qualidade de vida em idosos do sexo feminino. No entanto, os exerccios

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
44

no foram descritos. Devereux, et al. 17
demonstraram que houve melhorias
si
gnificativas no grupo experimental relativamente aos resultados do Step Test
(ST), teste que avalia o equilbrio dinmico. Estes resultados convergem com
os obtidos neste estudo, relativamente ao teste Tinetti, na sub-escala dinmica.
Tambm esto em concordncia com o efectuado por Lord, Matters e
George 14
, que avaliaram o equilbrio em idosos aps um programa de
h

idroterapia. Concluram que esta prtica tem uma influncia positiva sobre o
equilbrio. Douris e outros investigadores 16
realizaram um estudo com o objectivo
d

e determinar a eficcia de um programa de hidroterapia vs exerccio realizado
no solo, no treino do equilbrio. Foi demonstrado que no houve diferenas
estatisticamente significativas entre os dois grupos, no equilbrio. Desta forma,
este estudo entra em divergncia com as concluses de Simmons and Hansen
e as obtidas nesta investigao. Os exerccios do Tai Chi so semelhantes aos exerccios do Ai Chi,
embora que estes ltimos sejam de realizao mais fcil e de aplicao no
meio aqutico. Por este motivo achou-se pertinente comparar o estudo
realizado com outros trabalhos, sendo que tambm se far referncia a
estudos realizados na rea do Tai Chi, relativamente ao equilbrio. Hakim et
al. 9
, ao compararem o equilbrio entre participantes de Tai Chi, com classes de
e

xerccio estruturado e um grupo controlo, constataram que ambos os grupos
praticantes de Tai Chi e de exerccio estruturado demonstraram melhoras no
equilbrio que no grupo controlo. Por outro lado, Ness e outros investigadores 32
baseados nos resultados obtidos no seu estudo sugerem que a prtica de Tai
C
hi poder ter influncia na reduo de quedas em idosos, contudo, estes
resultados tm de ser considerados tendo em conta as limitaes do prprio
estudo, uma vez que aquando da comparao do equilbrio idosos, no foi
realizado um follow up para reportar o medo de cair e este estudo tambm no
incluiu um grupo controlo. Contudo, Komagata e Newton 10
realizaram uma
o

utra investigao e verificaram que a prtica de Tai Chi promoveu melhorias
no equilbrio, e que esta modalidade no foi efectiva na reduo de quedas nos
idosos.

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
45

1.3.Factores relevantes na metodologia utilizada

A comparao directa dos resultados obtidos com os de outros
investigadores tornou-se difcil, uma vez que no existem estudos que
relacionem as escalas FES e Teste de Tinetti com um programa de Ai Chi ou
outro de hidroterapia. Tambm necessrio ter em conta o facto das
investigaes referidas apresentarem tipos de exerccio e perodos de durao
diferentes do presente estudo. Dada a falta de estudos que avaliem a eficcia da interveno da
hidroterapia, atravs de programas de preveno de quedas, relacionando-os
com o equilbrio e o medo de cair na geriatria, sugerem-se investigaes
futuras que abordem esta temtica, recorrendo a um tamanho amostral maior,
com um maior tempo de interveno.
Os resultados obtidos neste estudo podem no traduzir as reais
modificaes ocorridas, pelo facto de esta investigao ter includo apenas
idosos que apresentassem pontuao no Teste de Tinetti inferior a 24 pontos
numa avaliao inicial, para ser possvel ter uma amostra que apresentassem
um risco grave ou mdio para quedas. Contudo estes valores no podem ser
extrapolados para situaes patolgicas, com dfice de equilbrio provenientes
de situao neurolgica. Existe ainda uma controvrsia acerca da eficcia da hidroterapia versus
programa realizado em meio terrestre. Assim, seria tambm interessante
comparar o programa realizado com ou outro programa de hidroterapia ou
mesmo com o Tai Chi. Uma outra sugesto seria efectuar um trabalho
experimental de natureza longitudinal numa comunidade de idosos, avaliando
os efeitos do Ai Chi noutras variveis como flexibilidade, fora muscular e
resistncia. importante tambm salientar que apesar de no ter sido avaliado o
grau de satisfao aps a prtica de Ai Chi, os idosos que praticaram este
programa relataram verbalmente que este foi benfico a nvel fsico, emocional
e tambm social. Para esclarecer esta situao, seria interessante que
investigaes futuras avaliassem o efeito do programa a nvel psico-social.

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
46

1.4.Implicaes deste estudo para a reabilitao

Este trabalho relevante para a prtica clnica, uma vez que, demonstra
que a interveno da fisioterapia, atravs de programas de hidroterapia
devidamente estruturados e adequados, pode afectar as vrias vertentes
(psicolgica, fsica e social) possibilitando a oportunidade de contacto com o
meio aqutico e contribuir positivamente para o controlo do equilbrio,
aumentando o nvel de actividade dos idosos, e consequente melhoria da
qualidade de vida destes.
A gua fornece estimulao a diferentes nveis: visual, auditivo,
p

roprioceptividade cutnea e trmica, sendo tambm uma experincia nica
uma vez que torna possvel a realizao de movimentos com foras
gravitacionais reduzidas; desta forma, as actividades aquticas podem ser
iniciadas antes de serem realizadas no solo. 6

O

Ai Chi pode ser descrito como uma forma de combinao de um
exerccio seguro aliado a um ambiente propcio para aumentar a confiana na
realizao de tarefas por parte dos idosos de forma a reduzir o medo de cair,
tornando-se mais activos e mais independentes nas AVDs. 46

O

relaxamento provocado por esta modalidade contribui para que o
indivduo se sinta mais confiante, seguro e estvel no meio aqutico. Estes
exerccios promovem um feedback sensorial da contrao muscular,
aumentando a coordenao e a funo motora. 46
Segundo Simmons e
H

ansen 42
os exerccios realizados em meio aqutico permitem aos
p

articipantes detectar erros na execuo dos mesmos, atravs do feedback,
tornando possvel que estes indivduos os corrijam sem aumentar o medo de
cair. Outro factor importante o facto dos exerccios realizados em gua
provocarem nos participantes o efeito de flutuao e de resistncia que esta
oferece ao movimento. Este efeito aliado ao pontecializador de sensaes
possibilita aos participantes a realizao de movimentos mais livremente dentro
da amplitude de movimento, permitindo a aquisio de uma postura correcta. 47

D

esta forma, pode-se concluir que importante combater o conceito de
sedentarismo presente nos idosos atravs da prtica de programas de
hidroterapia devidamente estruturados. Estes devem ser adequados

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
47

populao em estudo e podem contribuir positivamente para diminuir o risco de
quedas. tambm necessrio desmistificar o Ai Chi como uma modalidade
oriental e relevar os possveis benefcios na melhora do equilbrio nos idosos.
Posto isto, torna-se pertinente no futuro efectuarem-se novos estudos que
relacionem outros programas de hidroterapia com este.

Concluso
Neste estudo verificou-se que o programa de Ai Chi, constitudo por 16
sesses realizadas durante 6 semanas consecutivas, melhorou
significativamente o equilbrio equilbrio esttico e dinmico em idosos. Muito
embora no se tenha obtido significncia estatstica parece, tambm, existir
uma tendncia para a diminuio do medo de cair.

Tese de Licenciatura A influncia de um programa de Ai Chi no equilbrio e medo cair em idosos
48

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